A Nova Era Wicca, para quem não conhece...
Às portas do século XXI ressurge uma religião que se propõe a celebrar novamente a Deusa Mãe e as forças da Natureza, é a Wicca, uma religião que busca inspiração para sua filosofia nos antigos cultos pré-cristãos a uma divindade feminina, nas celebrações das colheitas e do plantio e no culto ao Deus fertilizador da terra.
Wicca é o nome alternativo dado às práticas da Bruxaria Moderna que após 2 mil anos de perseguição ganha força e cresce substancialmente em todo o mundo. A palavra Wicca vem do inglês arcaico wicce ou do saxão wich que significa “girar, dobrar ou moldar”, isto é compreensível, pois um dos principais objetivos da Bruxaria é transformar a natureza ao nosso próprio favor, vemos corruptelas desse termo em diversos outros idiomas, sempre expressando algo religioso e relacionado à Magia.
A Wicca é o reavivamento da Antiga da Antiga Religião dos homens primitivos, baseada na natureza e em seus ciclos, seus cultos remontam ao Paleolítico e ao Neolítico, em que as crenças religiosas eram centradas no culto ao feminino e aos mistérios da fertilidade.
Os fundamentos filosóficos e religiosos da Wicca surgiram entre os celtas, nas regiões da Inglaterra, na Irlanda e no País de Gales, sua filosofia fundamenta-se no culto à Grande Deusa Mãe, criadora de toda a vida que é celebrada através dos antigos rituais Pagãos recriados e revividos.
Por ser uma forma de paganismo, a Wicca celebra a natureza e fundamenta-se não só nos cultos pré-cristãos de Deusa, mas também no culto ao deus fertilizador (o Sol), nas celebrações das colheitas e em inúmeras outras manifestações religiosas ancestrais ligadas à natureza e aos ciclos da vida. Seguramente, os paleoeuropeus acreditavam que o poder criador universal era feminino e adoravam as forças da natureza como forma de estabelecer contato com o Divino. O culto à Deusa Mãe é muito anterior à Era de Touro (4000 a.C. a 2000 a.C.), tempo em que os homens viviam da caça e da pesca e as mulheres eram as grandes Sacerdotisas, Xamãs e detentoras do poder religioso, nessa época, o respeito ao feminino e aos mistérios da procriação estava em seu apogeu, os homens ainda não tinham associado o ato sexual à concepção e viam a gravidez e o nascimento como algo sagrado, recebido diretamente dos Deuses, os homens ancestrais acreditavam que as mulheres engravidavam deitadas ao luar, através da Grande Deusa personificada como a própria Lua.
Foi a partir daí que o conceito do Princípio Divino Feminino passou a existir e prevaleceu durante milênios, nossos ancestrais acreditavam que o poder que conspirou para que o Universo existisse era feminino e por isso cultuavam a Deusa como a criadora do mundo e de tudo que existe nele. Segundo as crenças Pagãs primitivas, essa Deusa teria criado tudo e todos, até seu próprio complemento, o deus, que é personificado através do Sol. Percebemos então que a religião ancestral era baseada no culto à Deusa e ao Deus, nada mais nada menos que a Lua e o Sol, das origens primitivas dos períodos Neolítico e Paleolítico surgiram todas as formas de magia e religião, principalmente a Wicca.
A maioria das religiões atuais da humanidade baseia-se em figuras e princípios divinos masculinos, com Deuses e Sacerdotes em vez de Deusas e Sacerdotisas, durante milênios, os valores femininos foram colocados em segundo plano e em muitas culturas as mulheres foram subjugadas e passaram a ocupar uma posição inferior à dos homens, seja no nível social, seja no espiritual.
A Wicca busca recuperar o Sagrado Feminino e o papel das mulheres na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe, além da complementaridade e do equilíbrio entre homem e mulher, simbolizados pela Deusa e pelo Deus, que se complementam, a Wicca dá à Deusa um papel preponderante tanto nas suas práticas quanto nos seus mitos, é, dessa forma, a principal divindade adorada e invocada nos ritos sagrados. Muitas vezes chamada de Bruxaria, Paganismo, Religião da Deusa ou Arte, a Wicca não é uma fantasia de mentes deturpadas ou de pessoas que se supõem dotadas de poderes mágicos, mas sim uma religião capaz de acolher pessoas das mais variadas idades, raças, posições sociais, de ambos os sexos, que vêem em seus ritos e filosofia uma forma de se conectarem com o Divino e com a Natureza.
A maioria dos Wiccanos, muitas vezes chamados de Bruxos modernos, são pessoas perfeitamente comuns, como as que você depara todos os dias em sua vida cotidiana, alguns têm ocupações ocultistas, como tarólogos, astrólogos, runemais, o que pode ser uma oportunidade para vestir-se em um estilo diferente, mas são definitivamente uma minoria, eles podem ser velhos ou jovens, homens ou mulheres, algumas pessoas esquecem freqüentemente que em alguns países mais homens foram executados por praticarem Bruxaria do que mulheres e por isso muitas pensam que a Wicca é uma religião exclusivamente de mulheres.
O culto Wiccano sofreu uma diminuição substancial até o ínicio do século XX, por isso muito de sua teologia, liturgia e ritual se perderam, covens Wiccanos permaneceram tão isolados que perderam contato entre si. Muitas pessoas afirmam que a Bruxaria desapareceu depois da Caça às Bruxas na Idade Média, a Bruxaria foi ofuscada pela perseguição mas não eliminada, as bruxas sobreviventes tiveram de precaver-se em relação às suas práticas religiosas, mas continuaram a executá-las, passando seus conhecimentos oralmente através dos séculos.
Para ganhar um completo monopólio religioso, a Igreja Cristã decidiu durante o século XIV caçar e queimar os praticantes da Antiga Religião, a Igreja criou uma imaginária religião maligna e disse que os Wiccanos eram satanistas e vendiam suas almas ao diabo, o que seria impossível, partindo do princípio que nenhum Bruxo acredita nele, centenas de milhares de pessoas suspeitas de serem Bruxas foram exterminadas durante a Era das Fogueiras que durou até 1792 na Europa e 1830 na América do Sul, a Igreja Católica queimavam Bruxos, e as Igrejas Protestantes os penduravam, Wiccanos permaneceram escondidos e mantiveram seus cultos sob segredo até a metade do século XX.
Hoje, à beira do novo milênio, centenas de anos após a Inquisição, a falsa figura da velha Bruxa com verrugas na ponta do nariz ainda persiste (mas vai saber se as mulheres bonitas que vocês conhecem, não são uma bruxa rs). A Bruxaria e os Bruxos foram proeminentes em vários países do mundo, as pessoas ocasionalmente se reportam a livros de praticantes europeus, pois a Wicca iniciou-se e tem suas raízes na Europa, porém, hoje, a Bruxaria encontra-se difundida em todo o mundo, vemos suas manifestações não só no Reino Unido, mas também na Costa do Marfim, no México, na África do Sul, no Brasil, na Argentina e em inúmeras outras localidades ao redor do mundo.
A religião Wiccaniana é formada de várias tradições, como a Gardneriana, Alexandrina, Diânica, Tânica, Georgiana, Tradicionalista ética e outras, várias dessas tradições foram formadas e introduzidas nos anos 60, e, embora seus rituais, costumes, ciclos místicos e simbolismos possam ser diferentes uns dos outros, todas se apóiam nos princípios comuns da lei da Arte.
O dogma principal da Arte Wicca é o conselho Wiccaniano, um código moral simples e benevolente: SEM PREJUDICAR NINGUÉM, REALIZE SUA VONTADE, ou, em outras palavras, VOCÊ É LIVRE PARA FAZER O QUE QUISER, CONTANTO QUE, DE FORMA ALGUMA, PREJUDIQUE ALGUÉM, NEM VOCÊ MESMO. (O Conselho Wiccaniano é extremamente importante e não pode ser esquecido na realização de qualquer encantamento ou ritual mágico, especialmente naqueles que podem ser considerados como não-éticos ou de natureza manipuladora).
A Lei Tripla (ou a Lei dos Três) é uma lei cármica de retribuição tripla que se aplica sempre que você faz alguma coisa boa ou má, por exemplo, se você usa a magia branca (ou energia positiva) para fazer bem a alguém, por três vezes ele voltará para você durante a sua vida, da mesma forma, se você usar a magia negra (ou energia negativa) para prejudicar alguém, o mal ou “pecado” também retornará a você três vezes durante a mesma vida.
Os seguidores da religião Wicca são chamados de Wiccanianos ou Bruxos, a palavra “Bruxo(a)” aplica-se aos praticantes do sexo masculino e do sexo feminino da Arte. (Os Bruxos muito raramente são chamados de feiticeiros [warlocks], A palavra warlock, considerada um insulto na maioria dos círculos wiccanianos, origina-se do inglês arcaico WAERLOGA, que significa “aquele que rompe o juramento” e foi utilizado pela igreja cristã de maneira eviltante, como termo correspondente ao masculino de bruxa).
Embora as Bruxas se orgulhem de fazer parte da Arte, existem algumas que se opõem fortemente ao uso do termo “bruxa”, considerando que a palavra possui determinadas conotações negativas e incitando imagens estranhas e conceitos mal-entendidos nas mentes dos que não estão familiarizados com a Arte e que talvez se mostrem um pouco relutantes em aceitar aquilo que não compreendem claramente.
Como a Arte Wicca é uma religião orientada para a natureza, a maioria dos seus membros está envolvida de uma maneira ou de outra com o movimento ecológico e com as reivindicações ambientais atuais.
Nós, Bruxos, não acreditamos no dualismo, como o “bem contra o mal”, a bruxaria ensina que todas as coisas existentes têm o seu próprio lugar e função e que devemos nos empenhar na busca da harmonia. Por motivos políticos e religiosos, as práticas pagãs tiveram seus conceitos e princípios deturpados nos tempos da Inquisição, desde meados de 1231, os Bruxos foram perseguidos e transformados em “adoradores do Diabo”, hoje, porém, a Bruxaria encontra um novo caminho e resgata novamente sua dignidade como religião, por isso, para que não haja confusão, faz-se necessário relacionar uma pequena lista com respostas para as diversas deturpações atribuídas à Bruxaria:
• Bruxos não acreditam nem honram a Deidade conhecida como Satã, Diabo ou Demônio.
• Bruxos não sacrificam animais ou humanos.
• Bruxos não usam fetos abortados em seus rituais.
• Bruxos não renunciam formalmente ao Deus Cristão, apenas acreditam em outros aspectos divinos.
• Bruxos não odeiam os cristãos, a Bíblia ou Jesus, nem são anticristãos, apenas não são cristãos.
• Bruxos não são sexualmente anticonvencionais.
• Nos Sabbats e Esbats não é utilizado nenhum tipo de drogas nem são feitas orgias sexuais. (então se alguém te chamar dizendo que você tem que fazer, saia correndo gritando socorro rs).
• Bruxos não praticam necessariamente Magia Negra.
• Bruxos não forçam ninguém a fazer algo que agrida o seu interior.
• Bruxos não estão tentando subverter o Cristianismo.
• Bruxos não profanam Igrejas Cristãs, hostis e bíblias.
• Bruxos não fazem pacto com o Diabo.
• Bruxos não cometem crime em nome de sua religião.
A Bruxaria tem sua própria filosofia sobre a reencarnação e a vida após a morte, porém, cada Bruxo pode ter suas próprias conclusões sobre o assunto, pois a Wicca não tem dogmas impostos ou regras as quais todos devam seguir, certamente existem muitas variações de crenças e conceitos entre os vários ramos da Wicca, embora os ritos, símbolos e costumes possam ser diferentes, todas as tradições apóiam-se em pontos comuns:
• Convicção na reencarnação.
• Crença nos aspectos femininos e masculinos do Divino.
• Respeito na mesma proporção não só a seres humanos, mas também à Terra, aos animais e às plantas.
• Observação da mudança das estações do ano, com 8 Sabbats Solares e entre 12 e 13 Esbats lunares (21 ritos anuais).
• Repúdio ao proselitismo.
• Igualdade a mulheres e homens, pois ambos são complementares, apesar de a mulher ser sempre mais enfocada.
• Realização dos rituais no interior de um Círculo Mágico, pois o Círculo é um espaço sagrado usado para a adoração.
• Importância dos “Três R”: REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR.
• Sentido de servidão à Terra.
• Estima por todas as religiões e pela liberdade religiosa.
• Repúdio por qualquer forma de preconceito.
• Conscienciosidade em relação à cidadania.
Bruxos nunca comprometem seus filhos com a sua fé particular, pois acreditam que cada um deve seguir o seu próprio caminho, as crianças sempre são ensinadas a honrar a família e os amigos, a ter integridade, honestidade, a tratar a terra como sagrada e a amar e respeitar todas as formas de vida, a Wicca é vista pelos seus praticantes como uma forma de vida e, por isso, inclui uma filosofia religiosa, uma filosofia ética e de conduta pessoal, permitindo a manifestação da individualidade religiosa como é sentida, mas encorajando a responsabilidade social e ambiental.